Queer

Nos últimos séculos o sexo tem se tornado o tema de grandes embates. Grupos reconhecidos como minorias, ficam cada vez mais perceptíveis para todo o resto que negavam abrir os olhos. Muitos acabam aceitando o “novo”, outros, no entanto, atacam ferozmente, querendo impor suas regras no intuito de formar uma sociedade moralmente “perfeita”.

O homossexualismo no século XIX para muitos, tratava-se de um mal onde qualquer pessoa poderia tornar-se vítima. Mais tarde ficou conhecido como um desvio de conduta. Hábitos homossexuais só poderiam ser realizados às escuras, contudo, surgiu um movimento unificador, homens e mulheres que não queriam continuar se escondendo. Produções acadêmicas e artísticas já colocavam em pauta a questão de ser gay. No Brasil, tal fenômeno foi acentuada após a Ditadura Militar, quando vários brasileiros que tiveram que se refugiar no exterior, retornaram, trazendo consigo os conflitos sexuais, étnicos e culturais que permeavam a cena internacional. Eles definitivamente, passaram a assumir um papel de minoria, “igual mas diferente” e iniciaram a formação da comunidade gay, onde o único requisito para participar era se assumir homossexual.

Nos anos 70 a sociedade passou a conviver de maneira mais “natural” com o homossexualismo. O ideal era unificar o grupo, criar uma identidade, entretanto, dentro da comunidade gay existem os subgrupos que não aceitavam a forma como o movimento estava se desenvolvendo. Para os negros, as campanhas utilizavam temáticas brancas, já as lésbicas se diziam em patamar inferior ao homens gays; trans sexuais e sadomasoquistas consideravam-se marginalizados.

Quando a Aids surgiu nos anos 80, causou o maior furor, tornando as opiniões homofóbicas de certos setores da sociedade ainda mais fortes, contudo, um número considerável de pessoas passou a integrar uma rede de solidariedade para ajudar na luta contra a doença. Foi uma reação que fez muitos perceberem que o homossexual não estava distante e sim que poderia estar ao seu lado, o tempo todo. Um grupo homossexual que não pretende ser tolerado e quer mostrar que é totalmente contrário a heteronormatividade da sociedade, desenvolveu a teoria denominada simplesmente pela palavra Queer que significa estranho, um termo pejorativo que revela a atitude de contestação desse grupo frente a sociedade.

A teoria Queer é influenciada por diversos intelectuais, passando desde Freud a Foucault. Freud ao dizer que o indivíduo não tem controle sobre inúmeros desejos que lhe são apresentados inconscientemente, foi no minimo chocante para a época. A pessoa ao ignorar seus próprios desejos deixa de conhecer a si mesmo. Lacan aumenta as incertezas ao afirmar que o indivíduo sempre procura o seu ser no outro, constrói toda a sua vida a partir do outro. Foucault mencionou que o sexo tornou-se a pauta de discussões que resultaram em construções discursivas da sexualidade. Para a teoria Queer, Jacques Derrida foi de muita importância, segundo ele, o ocidente se enxerga através de binarismos onde há um sujeito superior e o seu derivado, inferior. A proposição dada é que a desconstrução desses binarismos irá contribuir para uma análise da heterossexualidade/homossexualidade, onde cada um é fragmentado e carrega elementos do outro.

Vários teóricos serviram como base para a teoria Queer que, porventura tem seus próprios teóricos que se “apropriam” do conhecimento divulgado anteriormente e que utilizam-se de maneira diferenciada para se adequar ao que seria estranho. Judith Butler diz que as sociedades ditam as normas e regulam o sexo, no entanto, o corpo não aceita todas essas restrições e é por isso que essas regras precisam ser constantemente repetidas para que o quadro social se perpetue.  Butler afirma que que dentro dos discursos em defesa a homossexualidade, ainda existe o binarismo heterossexualismo/homossexualismo. Não é apenas ela, segundo outros teóricos, é necessário haver uma desconstrução completa deste binarismo, pois, não adianta apenas buscar uma identidade. Assumir uma identidade, significa que existe o outro e este esta sendo colocado no lado oposto, sendo que, ambos não vivem separados, trata-se de um único produto e é dessa junção, desconstrução que se chegaria a conclusão do porque o heterossexualismo é a norma imposta pela sociedade. Para este fim, surgem teorias pós-identitárias, ter uma identidade deixa de ser importante.

Através da teoria Queer uma visão de mundo completamente diferente às normas pula ao olhos e traz questionamentos necessários para a desconstrução de tudo que foi imposto até o momento pela sociedade. É necessário pensar em como inserir esta teoria em um programa pedagógico, é a partir da educação que o binarismo precisa ficar claro e daí passo a passo para findar os conflitos existentes como a homofobia.

FONTE: LOURO, Guacira Lopes. Teoria queer – uma política pós-identitária

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